sexta-feira, 27 de março de 2020

Tutorial - Formulários Google

E tudo era possível

Ilustração de Laimonas Smergelis


Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer

Ruy Belo, in Todos os Poemas (2000), Assírio & Alvim, p.241

quinta-feira, 26 de março de 2020

Navegar em segurança?

Os pais preocupam-se com frequência com o número de horas que os filhos passam (ou gostariam de passar) frente a um ecrã. 

Serão todos os jogos seguros?
Como navegar de forma ética?
Como prevenir o ciberbullying?

Para responder a estas e outras questões, consulte o site da SeguraNet, que inclui:

Tiras de banda desenhada 


Imagem de https://www.seguranet.pt/pt/tiras-bd-seguranet

Jogos para o 2º e 3º ciclos

Recursos para crianças, jovens, pais e professores, como por exemplo vídeos sobre como navegar em segurança na internet, evitando vírus e outros percalços.


Explore! Se precisar de ajuda, deixe um comentário aqui no blogue da Biblioteca Escolar. Estamos ao dispor.

terça-feira, 24 de março de 2020

#EstudoEmCasa - Uma foto. Uma rede social. Uma hashtag



#EstudoEmCasa - Uma foto. Uma rede social. Uma hashtag


No Dia Nacional do Estudante, o Ministério da Educação vem desafiar os mais novos a partilharem imagens a estudar na sua sala de aula provisória.


Esta terça-feira, pede-se aos alunos ou encarregados de educação que partilhem nas suas redes sociais uma foto em casa, em ambiente de estudo, e coloquem a hashtag #EstudoEmCasa, criando um movimento nacional de motivação para que alunos, famílias, docentes, não docentes e escolas prossigam esta caminhada, num ano letivo que tem contornos diferentes do habitual.

Esta é também uma forma de os alunos reconhecerem o trabalho dos seus professores.

As fotografias espalhadas pelas redes sociais serão compiladas na página de instagram: https://www.instagram.com/estudoemcasa2020/.

Carta de uma adolescente aos adultos

Queridos Adultos,


Daqui escreve-vos uma adolescente. Primeiro que tudo, queria pedir que acalmassem essas hormonas. Isto porque quando se fala dos vossos filhos adolescentes, parecem as nossas.


Nós não somos um problema, não somos todos deprimidos. Temos opiniões, sabemos falar, não temos uma linguagem diferente da vossa. Queria pedir-vos também que larguem esse preconceito de que a palavra “adolescente” tem a mesma origem que a palavra “problema”. Larguem os livros que compraram sobre como lidar com um adolescente, nós não precisamos todos da mesma coisa, pelo contrário, tentem conhecer-nos, perceber o que nos faz felizes, o que nos faz tristes, o que nos magoa, as feridas que ainda temos abertas.




Ilustração de Lockyi

Motivem-nos! Nós precisamos de ser motivados, cada um de nós precisa de acreditar que tem o poder de mudar. Somos a próxima geração, não queremos ouvir “este país está a descambar”, “é tudo uma vergonha… que horror!”. Motivem-nos! É em nós que têm de pôr a pressão toda, não desistam de nós. Abram as nossas mentes, não nos deixem pensar tudo quadrado!


Referência: Matilde Raposo. (2016). Carta de uma adolescente aos adultos. Consultado em 24 de março de 2020, disponível em https://www.capazes.pt/cronicas/carta-de-uma-adolescente-aos/view-all/


Locução da carta em  https://bibliotubers.com/18221.html

sábado, 21 de março de 2020

Poema

                                                  
Ilustração de Laura Wood
As coisas mais simples, ouço-as no intervalo
do vento, quando um simples bater da chuva nos
vidros rompe o silêncio da noite, e o seu ritmo
se sobrepõe ao das palavras. Por vezes, é uma
voz cansada que repete incansavelmente
o que a noite ensina a quem vive; de outras
vezes, corre, apressada, atropelando sentidos
e frases como se quisesse chegar ao fim, mais
depressa do que a madrugada. São coisas simples
como a areia que se apanha, e escorre por
entre os dedos enquanto os olhos procuram
uma linha nítida no horizonte; ou são as 
coisas que subitamente lembramos, quando
o sol emerge num breve rasgão de nuvem.
Estas são as coisas que passam quanto o vento
fica; e são elas que tentamos lembrar, como
se as tivéssemos ouvido, e o ruído da chuva nos
vidros não tivesse apagado a sua voz.


Nuno Júdice, "Poema", in As coisas mais simples, D. Quixote, 2007, 2ªed., p.25